E, depois de concordar, começo a colocar mais um ponto de vista ao tema da conversa. O que vai acontecendo naturalmente. E, depois que percebi essa maneira de me relacionar, também notei que a pessoa com quem converso fica mais aberta para outras colocações que poderão nos distanciar muito do ponto original. E meus interlocutores ficam mais criativos e alegres, a conversa segue mais relaxada e leve! Muito legal.
Tenho a impressão de que se forma um espaço, um espaço mental que não está completamente ocupado por idéias a priori, um espaço onde há vazios a serem preenchidos pelas formas-palavras-emoções, um espaço em que o presente é soberano.
Vou tentar exemplificar uma parte... os comentários ficarão sendo meus interlocutores. Vamos tentar?

Recebi de minha amiga Cris o texto que reproduzo abaixo. Ela tem frequentado aulas do Centro de Kabbalah aqui em São Paulo. Eu conheço muito pouco essa maneira de analisar a vida e o progresso espiritual do homem, mas tenho acompanhado com prazer os ensinamentos que me tocam pela sensibilidade e sabedoria. Vejam:
"Rav Ashlag, o homem que fundou o Kabbalah Centre em 1922, utiliza este exemplo ao descrever o processo espiritual de uma pessoa:
Quando você dá uma mordida em uma maçã que não está madura, quem sabe até amarga, o problema não é a maçã; o problema foi que não demos tempo de a árvore amadurecer a maçã. O problema é o nosso timing, não a maçã, nem a árvore.
Essa é uma mensagem poderosa para nós, porque deixa claro que o único verdadeiro problema é que o nosso processo ainda não está completo. Isso significa que não podemos nos perturbar por estarmos zangados, tristes ou deprimidos, ou por não termos alcançado nossas metas ou critérios.
Somos apenas uma obra em construção. Nós somos a fruta que ainda não está madura para ser colhida.
Você não derrubaria uma árvore por não dar maçãs maduras. Você espera dois meses e colhe as maçãs maduras.
Rav Ashlag ainda diz que não existe nada de mau no mundo – apenas pessoas e situações no meio do processo. Nossa imperfeição não nos torna maus. Na verdade, o mal não existe.
Esta lição não se aplica apenas à nossa relação com nosso crescimento espiritual. Ela também significa que não podemos julgar ninguém, nem dizer que sejam maus ou que não sejam dignos. Nenhum de nós não é bom o bastante. Nenhum de nós não é digno o bastante. Quer estejamos na semente, no galho, ou na fruta – lembre-se, é tudo um processo.
A alfarrobeira leva 70 anos para dar frutos. O fato de um fazendeiro que cultiva a alfarrobeira talvez não viver o suficiente para provar os frutos de seu trabalho não torna sua atividade inútil, nem significa que ele esteja desperdiçando seu tempo. Muitas vezes nos encontramos em relacionamentos que parecem que não vão dar em nada, ou trabalhando em projetos de negócios que não decolam. Mas é o próximo relacionamento ou empreendimento comercial que dará frutos, porque investimos no anterior. E, às vezes, é preciso plantar 10, 20 ou até 100 sementes para que dê frutos. Mas não existe esforço desperdiçado."
Então: É verdade, estamos no processo. Sim, somos uma obra em construção... mas será que posso usar a palavra apenas? Eu acho que a obra em construção que somos é a maravilha das maravilhas, como descreve o Evangelho de Tomé. Alguém já leu? Há muito tempo li uma versão comentada por Huberto Rhoden. Tem por aí na net para quem quiser ler. Nem vou colocar o link para não facilitar... vamos 'googlar'.
Poderia dizer que somos equivalentes a um grão de areia em relação à grandiosidade da vida, mas um lindo grão de areia feito de cristal polido e que brilha como as estrelas do céu.
Sim, não podemos julgar, não existe o mal, estamos no processo. Então isso não é imperfeição, se classifico como imperfeição, já estarei julgando, não lhe parece?
E, para completar a minha parte...
Sim, está nos comparando às maçãs. E qual é a utilidade das maçãs? Ter um bom emprego? Ter um carro do ano? Ser lindo ou linda como artistas de cinema? Jóias?... parece que a utilidade das maçãs é a de se oferecer ao consumo dentro de uma cadeia alimentar.
E nós, seres humanos, qual é a nossa utilidade?
As maçãs ficaram ainda mais apetitosas como ingredientes dessa sensacional torta; uma maga, ou mago, da cozinha preparou para ser compartilhada à mesa. Que linda foto, mesa requintada, louça inglesa, bule de prata, frutas e flores. Ah, e a calda é de laranja. Quanta criatividade e bom gosto!
Em que circunstâncias ficaríamos como ingredientes de um composto harmonioso assim? Um buquê de pessoas? Ofertado a quem?
Poderia ser assim? Uma metáfora de orquídeas? A foto é de minha amiga Adriana, a quem agradeço a imagem!
Quando o nosso processo está pronto? Qual é a manifestação de um ser humano pronto?
Belas questões que repasso a meus amigos...vamos?
Selos
Recebi de meus amigos os selos que posto aqui: De António Rosa, do blog Cova do Urso, da Cibele, do blog Metamorfose e da May-Morhan, do blog Essência Órion. Fico muito grata com o carinho!


