domingo, 28 de junho de 2009

Amigos queridos



O afeto é uma coisa muito preciosa e curiosa, ele segue caminhos meio ilógicos; melhor dizendo, não captados pela lógica racional, não sei se ele se instala com o concurso do lado direito do cérebro, ou se tem sua formação num detectar automático de possíveis afinidades. Na verdade, para mim, é até um pouco estranho...e quando sinto esse afeto por uma pessoa, parece que essa magia se estende e aí eu gosto da família inteira, mas com um carinho tão forte que enternece o coração quando vem à lembrança a imagem de meu amigo ou minha amiga.
Isso está acontecendo também com as pessoas que tenho 'encontrado' pela internet, mas às vezes nem tem muita afinidade...por exemplo: dentro das particularidades da minha vida, eu não sou muito chegada à cozinha, faço porque 'noblesse oblige', ou seja, sou obrigada a fazer, mas tenho muito prazer ao visitar alguns blogues dedicados à culinária e outras atividades voltadas à família e ao lar. Nasceu, ou revelou-se um afeto por esses amigos virtuais. É bem verdade que se trata de pessoas bem inteligentes que escrevem sobre sua realidade de um modo que me agrada, é gostoso ler! E ainda viajo pelos mais diferentes lugares através de olhos e textos de brasileiros que moram no exterior, ou de portugueses que escrevem de um jeito tão simpático!
Por mim eu nem faria a reforma da língua portuguesa, eu acho tão linda a diversidade. Fiquei sabendo que em Portugal, quando alguém fala 'bem haja', está agradecendo, e eu achei lindo. E que quando algo é 'giro' é porque é muito bom, o equivalente ao nosso 'legal'. Mas acredito que esse sabor local vá sempre existir.
Leio outras coisas também e vejo que a formação de redes não hierarquizadas tem mobilizado bastante os contatos pela internet, bem como as redes sociais, tais como facebook, orkut e, mais recentemente, o twitter, que é um sistema de microblogging muito ágil. Ou seja, as pessoas, mais do que organizações, estão formando seus laços e optando pelas fontes de suas informações...depois referendadas ou não pela TV, rádio, jornais impressos (em franca extinção - quem diria?). E, além de ler e se informar, as pessoas também estão produzindo informações: os aparelhos celulares captam os fatos no nascedouro e depois imagens são divulgadas... eu fico absolutamente encantada com essas possibilidades transformando-se em realidade. É a construção de algo muito democrático na minha opinião. Vejo o caso das eleições no Irã, como tem sido importante o papel dessa comunicação barata, onipresente... nunca mais o mundo será como antes. Mesmo que a truculência de governantes ainda se manifeste, nunca mais será como na Rússia de Stalin, ou na China de Mao, quando a censura era impenetrável e monolítica, e as informações envoltas em nuvens negras, bem chamadas de cortina de ferro!
Então esse global forma uma rede magnética que para mim é mágica. Gostei de um conceito que descobri em minhas andanças: em inglês 'glocal', informar-se no 'global' e agir no 'local' ( e é igual em português - coincidência?). Sei que tudo isso me deixa muito feliz! Um mundo está sendo construído para substituir o que aí está - nem me deixem falar do Senado - e esse mundo é muito, mas muito melhor!
Nesse mundo que se forma, o papel do afeto, carinho, ajuda, respeito, colaboração, trabalho conjunto e participação é o que é importante!
Tudo isso para dizer da exposição dos quadros do meu amigo Neto; ele foi colega de meu filho mais velho nos tempos de faculdade, isso há 15 anos. E aí, nasceu o tal do afeto...fazer o que? Nada, apenas deixar existir e, assim como descrevi no primeiro parágrafo, o carinho se estendeu à família inteira e hoje a Cris - sua mãe - é minha amiga virtual e real muito querida.
Fui convidada para o coquetel de abertura da exposição, que fica até o dia 5 de julho no MUBE e foi um prazer testemunhar o talento do Neto, que, apenas em branco, preto e cinza, retrata cenas de divas do cinema contrapostas a figuras femininas da arte clássica - pintura e escultura. Original e forte é sua arte, eu gostei muito.
Vejam se concordam comigo!


O nome do quadro acima é 'Mona Loren'.

Prosseguindo nas redes mágicas, quero celebrar aqui também o primeiro aniversário do blog de uma amiga querida, Adriana. O bolo é virtual, mas o sentimento é bem real! O link para o blog está bem aí no lado direito, na lista dos que sigo : dimensões internas...Podem conferir!

sábado, 13 de junho de 2009

Oba, meu pc voltou do conserto!

Meus agradecimentos à Adriana, Cibele e outros amigos queridos!

Eu disse que ia dar um jeito, e não é que foi o que aconteceu?! Quando recebi os selos fiquei muito feliz. É que sou - ainda - meio rebelde, ou chata, sei lá. Mas tem uma coisa que tenho tendência a rejeitar: Ter a obrigação de fazer algo, e ainda mais, seguindo a regra de terceiros. Eu sei, tenho a certeza, que quem repassa o premio faz a ação com o maior amor e reconhecimento, e eu agradeço e aprecio do fundo do coração. E até quero me desculpar por esse meu jeito assim meio esquivo, talvez...
E eu prefiro deixar a aparência do blog bem própria, quase meu retrato...
Eu tive pais muito autoritários e link precisei me defender bastante para conseguir chegar a uma certa autonomia e construir minha individualidade. Estudar em colégios tradicionais nos anos 50 e 60 também não ajudou muito, não havia muitas escolhas!
Mas, que maravilha, tem um mas muito importante...
Lá estava eu na faculdade, cursando Ciências Sociais na PUC de São Paulo, quando chega o ano de 1968...
Só poderia ser 'melhor/pior' se fosse na USP... mas era a PUC mesmo e a confusão que aconteceu foi sensacional. Eu descobri mais um pedacinho da liberdade de expressão, de pensamento, de sentir o que eu sentisse, fazer o que quisesse e pudesse.
Eu ouvia os comícios do pessoal da esquerda e, embora tivesse muita coisa legal, eu não me afinava com o discurso. Ouvia os mais velhos nas festas, pais de amigos, parentes, fazendo críticas aos baderneiros 'comunistas' e também não comungava suas opiniões. Estava sempre questionando tudo e todos... e acabei ficando fora dos padrões da época, era chamada de 'reacionária' pelos colegas e de 'comunista' pelos outros! Legal, né?!
Muitos anos se passaram, muitas coisas aconteceram e num outro post eu explico um pouco mais esse passado que ajudou a construir e desconstruir...
Aí fiquei pensando em mais um aspecto que aprendi a acatar e respeitar: a impermanência. Tudo passa. Se tudo passa, aqui no blog também, os posts se sucedem e os antigos vão para as páginas mais distantes; por quê os selos devem ficar na capa enquanto tudo mais passa? Então decidi que para mim eles deveriam seguir o mesmo processo e passar...
Construí, então, o Mural abaixo com os selos recebidos e fiz uma espécie de 'As Tábuas da Lúcia', parodiando, numa versão moderna, as de Moisés. Mas para mim tem um significado profundo: os blogs listados são aqueles que acompanho, leio, eles me inspiram, me acompanham em meu dia, uma ou outra frase fica rodando na minha mente... junto aos atos e fatos do cotidiano, essas leituras são o que considero a matéria prima de minhas vivências. São importantes para mim.



E quero agradecer, agradecer aos céus e terra a oportunidade de viver numa época tão rica em informações e possibilidades. A Comunicação amplificada nessa rede mágica é um prazer indescritível, meu coração fica muito feliz com esses 'contatos imediatos'...não sei de que grau! Nem o Spielberg saberia dizer...

Será que alguém saberia?