quarta-feira, 25 de março de 2009

Facilitando a comunicação

No Natal, meu filho mais velho presenteou o pai com uma caixa de dvds daquela série de televisão "House". Vieram junto uma bolsa de napa e uma camiseta com ilustrações de secções do cérebro, como vemos em tomografias. Ficou decidido que eu herdaria a camiseta, uma vez que o tamanho era perfeito para mim. Até tive de experimentar e desfilar para a aprovação da platéia. Estava me sentindo a estrela da festa, mas também, sendo a única mulher da casa - por enquanto - isso nem seria uma grande vantagem!


Bem, eu tenho o costume de fazer caminhadas diárias, já há uns bons 25 anos. Eu ando por uma hora num ritmo que considero bem razoável para a minha idade. E incluí a camiseta preta do House no meu vestuário próprio para caminhar. Entre outras, naturalmente!


Ontem , meu marido e eu fomos comprar pão, como fazemos praticamente todas as manhãs, para prepararmos nosso café. E eu estava usando aquela camiseta preta com os cortes do cérebro, pois na sequência eu iria caminhar. Aproximei-me do balcão, cumprimentei a jovem atendente e ela, pela primeira vez em mais de ano, abriu um grande sorriso e comentou: "Ah, o House, adoro os filmes". Perguntei o porquê de ela admirar tal personagem. Respondeu-me que era pelo jeito que ele tinha de mostrar para a equipe o diagnóstico correto dos pacientes. E ela estava tão contente enquanto me atendia... Das outras vezes, ela tinha sido sempre muito mais formal, desempenhando o papel de servir e colocando uma distância a nos separar muito maior do que o próprio balcão, acho que seriam, assim, uns 3 balcões pelo aspecto subjetivo - era o que me parecia!
E o mal humorado do House, veja só, fez a ponte! Ele foi o facilitador para uma comunicação mais humanizada entre nós duas, nós tínhamos algo em comum, não éramos mais apenas a que serve e a que é servida.



Agora, mesmo eu usando outras roupas, ela vai me sentir assim, como nessa ilustração, das próximas vezes em que nos virmos. Vou prestar atenção!

sexta-feira, 20 de março de 2009

Variações sobre o tema



Aproveitando uma sexta-feira mais tranquila para postar aqui, agora já entrando no nosso outono. Por ser o primeiro dia, talvez até por sugestão, parece que a temperatura está mais amena.
Hoje pela manhã estava conversando com a senhora que me ajuda com o serviço da casa, mesmo porque a dita cuja (a casa) é muito grande e a ex-princesinha aqui não estava acostumada com o borralho, hehehehe; mas, como a 'noblesse oblige', a vida me ensinou mais essa lição e já sou a Rainha do Lar há um bom tempo!
Voltando à conversa com a minha parceira, ela me dizia que lá, no bairro onde mora, a violência e insegurança estão aumentando muito depressa. Seu vizinho, um rapaz nos seus vinte e poucos anos, comprou uma moto para se deslocar para o trabalho e passear com a namorada nos fins de semana. Comprou em 48 parcelas, começou a pagar alguns dias antes do Natal. Já no final do ano sofreu um acidente e teve de passar por pequena cirurgia, ficando internado 3 dias. E agora, na semana passada, foi assaltado e dois ladrões, ameaçando com armas, levaram a moto. Desde então, o rapaz não sai de casa e só chora o dia todo. Os familiares procederam corretamente e providenciaram um boletim de ocorrência (BO) na delegacia, mesmo porque os documentos também foram junto, e a gente sabe a complicação que pode dar para o cidadão comum! Ela não soube me dizer se a moto tinha seguro contra roubo, suponhamos que sim, que esteja incluído na prestação. Até dei para ela a tarefa de se informar a respeito do seguro, pois fiquei mesmo muito triste com a infeliz história. Fico aqui torcendo para que tenha seguro, vamos esperar para saber.
E fui fazer o almoço, os pensamentos começam a voar nessa hora e então estava já refletindo sobre vacinas, seguro, prevenção, etc.
É claro que quanto à sociedade organizada, cabe ao Estado cuidar da segurança dos cidadãos, coisa que não é satisfatória aqui no nosso país - e está piorando até nos chamados países desenvolvidos. Creio que o problema transcende a capacidade de nossos sistemas econômicos, modelos políticos e paradigmas sociais. Nossa administração humana está à beira da falência - ou já faliu e nós ainda não nos apercebemos disso.
Quando eu fazia pós-graduação em Demografia, estudamos muito várias teorias, não vou me alongar, mas uma delas, seria um novo malthusianismo, que dizia, como ele (Malthus), que a população cresce em proporção geométrica e a produção de alimentos, em proporção aritmética. Hoje já se sabe que nossa capacidade de produzir alimentos é muito grande e daria, sim, para suprir as necessidades de todos os bilhões de habitantes de nosso planeta.
Mas a necessidade não é de comida, é de consciência. Afinal, o homem quer um mundo melhor e não sabe como construir? Ou o homem sabe, mas não quer mundo melhor coisa nenhuma?
Vamos ver...

segunda-feira, 9 de março de 2009

Muita sorte!

Há uns seis ou sete meses fui chamada para dar aulas de português para um rapaz francês que estava começando a trabalhar aqui em São Paulo, mais precisamente na Vila Olímpia, com o seu tio num escritório de captação financeira.
Lá fui eu para a primeira entrevista, disposta a conversar com ele em inglês ou dar uma arranhadinha no meu francês (um pouco esmaecido, por sinal).
Chegando lá tive uma surpresa muito agradável: trata-se de um jovem de 22 anos que fala 4 idiomas - francês, inglês, espanhol e árabe. Inteligente e interessado, apaixonou-se pelo Brasil logo de saída. Ao me despedir dele, já estávamos falando uma mistura de portunhol com francês, foi muito legal.
E assim começamos a trabalhar de maneira muito eficiente e alegre. Logo descobri que ele adora futebol e fomos explorando semelhanças e diferenças com o objetivo de desenvolver sua fluência.
Como ele aprende muito depressa, passei a trazer artigos de jornal e de revista para trabalhar vocabulário e estrutura.


Na aula passada aconteceu uma coisa muito interessante. O artigo escolhido era sobre dois irmãos grafiteiros que fazem intervenções na paisagem no bairro da Lapa, em São Paulo. E um dos desenhos citados com a respectiva inscrição era de alguns porcos com a frase: "Deem pérolas aos porcos..."
Bem, meu aluno é muçulmano e, embora tenha entendido o vocabulário, não poderia alcançar o sentido da frase. Então procurei explicar que dentro do catolicismo acredita-se que a frase tenha sido dita por Jesus e que tem o sentido de que não devemos dar algo para alguém que não possa reconhecer o valor da dádiva, pois poderá se revoltar com a inutilidade do presente e se voltar contra quem deu. E ainda disse que era como eu entendia, não era uma verdade absoluta. E que os grafiteiros, propondo que se dessem pérolas aos porcos, estavam lançando uma provocação.
Ele achou legal, discutimos se graffiti era arte ou não, se tem isso em Paris também. Qual é a sua opinião sobre as artes visuais contemporâneas, se gosta de exposições, cinema e tudo mais.




À noite, em casa, meu pensamento voltava ao "não deem pérolas aos porcos"... Era uma inquietação, uma coisa rodando na cabeça. No dia seguinte, conversando pelo telefone com minha psicanalista preferida, foram surgindo as questões:
Será que ao não dar as "pérolas" eu estaria mantendo um status quo? Julgando o que serve e o que não serve para outra pessoa? Tentando manipular uma situação? Será que eu sei quem é "porco"? Será que o "porco" pode se transformar se aceitar as pérolas? Eu sou melhor do que o porco? E muitas outras...
Interessante, eu fui educada na religião católica e então as passagens que foram ensinadas acabaram ficando inquestionadas e, justamente para decodificar o conceito para quem vem de outra cultura, acabei tendo a oportunidade de questionar o que para mim era dogma. E o melhor, agora já não é mais... pelo menos esse! Continuamos a desconstrução.
E eu digo que tenho muita sorte, muita sorte mesmo. Se a primeira árvore do post me representa individualmente (original em ), a segunda, toda colorida, me representa no conjunto com as pessoas com quem me relaciono. O tal do deslumbramento!

quinta-feira, 5 de março de 2009

A trama da teia - tecendo laços

Olá Cibele, encontrei a bela imagem acima e a dedico a você! Trata-se da deusa egípcia Nut, a deusa da abóboda celeste. Embaixo dela vivia o povo que era alimentado com o leite que derramava e que era protegido por seu corpo de estrelas. Seu marido era Geb, o deus da terra.
Vem do seu nome e função o conceito de nutrição, legal, não é verdade?!
E aí acrescentei o seu nome e o nome do seu blog à ilustração como uma homenagem pela sua participação honesta e jovial nesse grande tear que representa a internet.
Nossas casinhas virtuais exibem os cômodos, móveis e decoração de nossas mentes e é possível transitar por esses espaços não espaciais com a curiosidade, o espanto e até certa angústia:
Quem?
O quê?
Como?
Por quê?
E aí a gente quer saber do outro...quem é você? Até para poder, quem sabe, pelo reflexo, conhecer um pouco mais de nós mesmos.
Bem, nisso sou parecido, já naquilo sou completamente diferente. Ah, também penso assim, não, não, não mesmo, discordo 100%...
Será que é possível, ao somar similaridades e subtrair diferenças, descobrir quem sou?
De repente, porque não?
Eu, pessoalmente, acredito que a vida é uma grande aventura! Um deslumbramento de sucessivas descobertas e inúmeras desilusões, tudo muda, tudo se transforma, como diz você com o título do blog: Metamorfose.
Às vezes eu brinco quando converso com os amigos mais íntimos e digo que vivemos na pensão do Lavoisier que é regida pelo princípio de que nada se cria, nada se perde no universo, tudo se transforma!
Então quero deixar aqui uma saudação especial para você:
Que as forças divinas celestes e terrestres derramem suas bençãos e luzes sobre você!
Muita paz...