
Bem, primeiramente devo dizer que acredito que sempre escrevemos ou falamos sobre nós mesmos. É como se tivéssemos uma "fita demo" ... Vou tentar dizer de outra maneira. Há certas pessoas com as quais temos pouco contato, mas fazemos um telefonema por época de seu aniversário ou Natal, por exemplo. E eu noto que a conversa, à medida que transcorre, é quase igual à do ano anterior - de minha parte também - as mesmas palavras, queixas, elogios, agradecimento pela lembrança, beijos e despedidas. É claro que os fatos ocorridos no período podem ser diferentes, mas a maneira de relatar e interpretar é a mesma. Após desligar o telefone, paro por um instantinho e penso que o mais significativo resultado foi o carinho do contato, a proximidade do coração do ser humano que está lá com o que está cá. Há um sentimento que me toca e uma emoção que se produz na sequência, um suspiro, um pensamento ..."Como gosto de ...", aquele calorzinho gostoso e um sorriso no rosto.
Como a Cláudia, eu gosto muito do Brasil, amo nosso país, nossa gente mestiça, arte, cultura, comida, a paisagem, as muitas paisagens deste nosso país continente. Sou apaixonada por animais, plantas e converso com minhas orquídeas, e posso jurar que elas me respondem.
Conforme o tempo vai passando e eu ficando mais velha, percebo que estou cada vez mais carinhosa ( o tom de voz quando falo ao telefone com amigos, filhos adultos), meio boba até, pois ando me emocionando até com comerciais de TV. E acho um pouco estranho, logo eu, que sempre estava com a espada na ponta da língua, meio dona da verdade, super radical nas opiniões e críticas...
Acho que estou caminhando para uma pacificação interior, começando a surfar por um verbo AMAR intransitivo, sem objeto, conjugado dentro do sujeito. Se conseguir plenificar esse sentimento antes de morrer, vou ficar muito, mas muito feliz mesmo.
As baleias, ora, as baleias já nascem sabendo, afinal de contas elas fazem parte do conjunto de seres chamados irracionais!